


Do Café à Tecnologia:
Preservando a Memória para Garantir o Conhecimento.
A Região
A região chamada Sertão Paulista, antes habitada por índios guaianases da nação goiana, começou a ser povoada no final do século XVIII, com a abertura de uma trilha que levava às minas de ouro de Cuiabá e Goiás. Saindo de Piracicaba, subindo as encostas do planalto, passando pelos campos, matas e cerrados. Assim, povoadores se estabeleceram na região.
A Cidade
A história de São Carlos tem início em 1831, com a demarcação da Sesmaria do Pinhal. Na data da fundação, 4 de novembro de 1857, a povoação era composta por dezenas de casas ao redor da capela. Entre 1831 e 1857 são formadas as fazendas de café pioneiras, marcando o início da primeira atividade econômica de maior expressão em São Carlos. A lavoura cafeeira chega e se espalha por todas as terras férteis no município, tornando-se o principal produto de exportação.
A cidade surge no contexto da expansão da lavoura cafeeira, que é marcante nas últimas décadas do século XIX e nas duas primeiras do século XX. A chegada da ferrovia em 1884 propiciou um sistema eficiente para escoar a produção para o porto de Santos e deu um grande impulso ao desenvolvimento da economia da região. A ferrovia também contribuiu para que a cidade se firmasse como local de destaque político e econômico.
A Fazenda
Na Sesmaria do Monjolinho foi adquirida e desbravada, em 1850, a Fazenda Santa Maria por José Inácio de Camargo Penteado, localizada nas glebas à margem do Rio Monjolinho, que deixou como herdeiros os filhos Major José Inácio e Theodoro Leite de Almeida Camargo. Família de avultada fortuna, conquistada na época áurea da produção cafeeira, e seus filhos visando receber um título de nobreza do Imperador D. Pedro II contrata o italiano, Pietro David Cassinelli, e inicia em 1887 a construção de um requintado e Grande Sobrado para hospedar o monarca. Sendo equiparado as melhores e mais confortáveis residências existente do país. Seu destaque é por estar localizado em uma área rural, marcando a história da riqueza do café no Brasil. Ainda hoje, decorridos mais de cem anos, pode-se admirar as linhas sóbrias e elegantes e a solidez de sua estrutura. É considerado o exemplar mais característico da arquitetura eclética em área rural.
Porém, em decorrência da abolição dos escravos e da Proclamação da República, surgiram crises e novas exigências na administração rural, e muitos fazendeiros perderam suas propriedades não superando as inovações da Republica.
Em 1904 Candido Souza Campos, recém formado pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em São Paulo, casou-se com Zuleika Malta e adquiriu a Fazenda Santa Maria do Monjolinho, com os pertences da propriedade inclusive o mobiliário e objetos da sede, que são conservados e utilizados pela quinta geração de seus descendentes. Candido era natural de Campinas e filho do primeiro médico desta cidade, Antonio Souza Campos.
As demais construções são da mesma época e formam um conjunto arquitetônico, que são conservados e utilizados. A antiga Estação de trem do Monjolinho pertence à Fazenda Santa Maria e está localizada próxima ao grande sobrado. Atualmente, parte das construções da Estação do Monjolinho está restaurada abrigando um típico restaurante rural e utilizada para visitação.
O engenheiro Agrônomo, Décio Luiz Malta Campos, primeiro neto de Candido, dedicou sua vida para produção agrícola e preservação histórica da fazenda. Seguindo os conselhos de seu avô e pai, reside no “Grande Sobrado” há 55 anos, conseguiu preservar as terras adquiridas pelo seu avô Candido e recebe pessoalmente seus visitantes.
Grandes personagens
O maior atrativo, no entanto, é o ambiente rural destacado pelo sólido palacete, envolvendo documentos preciosos e com personagens de grande destaque na sociedade científica brasileira. Profº Dr. Theodureto de Almeida Camargo, filho de Theodoro, foi Ministro em 1945, diretor do Instituto Agronômico de Campinas e cientista que introduziu o adubo químico no Brasil.
Profº Dr. Ernesto Souza Campos, paulista de Campinas, nascido em 1882. Formou-se na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em 1919 e na Escola Politécnica da mesma Universidade em 1906. Passou parte de sua vida em São Carlos nas terras da Fazenda Santa Maria. Possuía como melhor amigo seu irmão mais velho, Candido Souza Campos.
Como primeiro aluno dos cursos e pelo reconhecimento dos magníficos resultados obtidos durante os anos de estudos, recebeu como prêmio estudar nos Estados Unidos sendo escolhido pela Comissão da Fundação Rockfeller. Encantado com o sistema “universitário” e junto com alguns parceiros, criou-se à idéia de unir as faculdades existentes em São Paulo, fundando a Universidade de São Paulo – USP. A Fundação Rockfeller, através do Profº Ernesto, destinou os recursos para construção do Hospital das Clinicas. No interior paulista, iniciou as primeiras Escolas Estaduais, das quais originaram a UNESP. Quando Ministro da Educação fundou as Universidades Católicas e Federais da Bahia, Recife, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. Ocupou a cadeira nº. 34 da Academia Paulista de Letras.
Instituto Souza Campos
O acervo de autoria do Profº Ernesto Souza Campos consiste em pesquisas desde a criação da primeira revista médica, para fins de transferências de informações. Parte de seus estudos científicos está na USP e encontram-se na Cidade Universitária.
Porém, a trajetória de todas suas realizações e o inicio das idéias como o croqui, a punho, desta primeira Universidade de São Paulo estão preservadas em seu acervo pessoal que guardamos como tesouro e que, hoje, sob os cuidados e guarda do Instituto Souza Campos estão no Museu da Fazenda Santa Maria do Monjolinho. São 82 livros e pesquisas, 307 obras sobre temas culturais e históricos, 113 sobre temas literários, 47 sobre hospitais, 34 projetos e execução de obras: sendo 4 Cidades Universitárias e 30 Escolas e Hospitais.
A vida do Prof. Ernesto Souza Campos foi dedicada ao Ensino Público Universitário e a Saúde Pública, construindo hospitais, escrevendo livros, fundando Universidades e Institutos de pesquisas, amando a literatura e a história. Era um homem que tinha como ideal o conhecimento para o desenvolvimento. Portanto, este acervo estar em São Carlos, que é uma cidade que desenvolve o conhecimento é com o estar na sua própria casa.
O Instituto Souza Campos, com sede na Fazenda Santa Maria do Monjolinho, é composto por membros da sociedade que estão envolvidos, pela história e pela profissão, ao desafio de preservar e divulgar a memória para garantir o conhecimento da nossa nação.

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