


Nas encostas do planalto, no
interior de São Paulo aonde hoje estão
localizadas as cidades de São Carlos, Araraquara,
Rio Claro, Ribeirão Preto e adjacências,
havia densas matas, onde abundavam perobas, óleos,
canelas, araruvas e faveiros, além de ipês
e paus-d'alho. Nos cimos dos morros existiam bosques
de Araucárias. O nome dado a fazenda Pinhal
assim como o nome da cidade de São Carlos
é uma clara referência a esta abundante
vegetação daquelas paisagens.
Antes habitada por indígenas
da nação goianá, (foram encontradas
nas proximidades da Fazenda Pinhal, propriedade
do Conde do Pinhal, vestígios de cemitério
e objetos de uso, indicando aldeia destes nativos),
a região do planalto, conhecida como sertões
Araraquara permaneceu indevassada nos séculos
do bandeirismo porque a penetração
para o interior se fazia pelos caminhos mais fáceis
através das proximidades das encostas dos
grandes rios. Apenas no final do século
XVIII foram abertas lá as primeiras sesmarias.
Sesmarias eram glebas de terra
doadas pelo governo português a pessoas
audazes que se dispunham desbravar o sertão
e povoar tais terras, mediante compromisso mútuo
de recompensa entre a coroa e quem houvesse recebido
a terra.
O Capitão de milícias
da vila de Piracicaba, Carlos Bartolomeu de Arruda
Botelho, um dos defensores do forte do lguatemi
nas lutas contra os espanhóis, desde 1781,
adquiriu em 1786 a Sesmaria do Pinhal, uma vez
que o primeiro proprietário não
chegou a fazer uso da mesma.
Em 1799, incumbiu-se de abrir
o "picadão" de Cuiabá,
que encurtaria caminho para as minas de Mato Grosso,
caminhos estes que passavam no traçado
aonde hoje na cidade de São Carlos estão
as ruas Episcopal, Quinze de Novembro e Miguel
Petroni, a antiga estrada boiadeira.
O desbravador Carlos Bartolomeu
veio a falecer em 1815. Seu filho, o tenente-coronel
Carlos José Botelho, vindo de Piracicaba,
se estabeleceu no povoado de São Bento
de Araraquara, (hoje a conhecida cidade de Araraquara)
surgido em 1817 naqueles sertões.
Em 6 de dezembro de 1831, fez demarcar as terras
do Pinhal (aproximadamente 40 mil alqueires paulistas),
constrói a Casa Grande (casa de morada)
e inicia, no final da década, a primeira
plantação de café.
Sólido casarão
de taipa de pilão e taipa de mão,
firmemente assentado no solo, oito gerações
da mesma família tem cuidado da preservação
desse rarissímo marco da arquitetura colonial
do início de século XIX, contendo
todo acervo de época.

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