O café foi introduzido no Brasil pelos franceses, através da Guiana e rapidamente os grãos chegaram ao Rio de Janeiro e de lá se espalharam em direção do Vale do Paraíba, aparecendo em solo paulista ainda no final do século XVlll.

A História da Fazenda São Francisco se confunde com a do café na região, anterior mesmo ao vilarejo de São José do Barreiro. Nas sesmarias ocupadas por mineiros de Pouso Alto as famílias de Fortunato Pereira Leite e Cel. João Ferreira de Souza começaram o desmatamento e o plantio regional. Surgiram sucessivamente as quatro primeiras Fazendas- São Francisco, 1813, Pau d’Alho, 1817, Capitólio e São Miguel, todas com grandes plantações que iriam aproveitar, para escoamento o Porto de Mambucaba em complicadas viagens em lombo de mulas e burros, que cruzariam a Serra da Bocaina. No entroncamento das 4 Fazendas, que era um ponto de troca de tropas, surgiu São José do Barreiro, algumas décadas após o início dos desmatamentos.

A primeira das 4 Fazendas foi, como dissemos, a Fazenda São Francisco, construída num vale às margens do Riacho Carrapato, vindo daí seu primeiro nome, Fazenda do Carrapato. Sua inauguração deu-se em 1813, tendo seus construtores colocado um brasão no pórtico principal, com as iniciais AFS, de Antonio Ferreira de Souza, o emblema do Brasil-Colônia e a data 1813. Passou ela por poucos proprietários em seu 200 anos de existência. Após Antonio, vieram o Major Francisco de Paula Ramos,Joaquim de Paiva, Benjamim Lima da Fonseca, de 1910 a 1946 e Prudência e Walton Ferreira Leite, que a adquiriram no sistema porteira fechada em dezembro de 1946, permanecendo até hoje com seus descendentes.

Já não havia mais café na última transação, depois das sucessivas e conhecidas crises: libertação dos escravos, 1888, proclamação da República, 1889, Guerra Mundial, 1914 a 1918, crack da Bolsa de Nova York, 1929, o esgotamento das terras advindo de manuseio errado. A entrada em cena dos novos cafezais no interior de São Paulo e Sul de Minas e os incêndios programados pelo Estado-Novo nos cafezais remanescentes transformaram as pequenas e anteriormente ricas cidades do hoje Vale Histórico nas Cidades Mortas, tão bem retratadas por Monteiro Lobato. A pá de cal veio a seguir, 1950,com a inauguração da Rodovia Presidente Dutra, tirando de lá definitivamente o tráfego rodoviário.

Mas a Fazenda São Francisco se manteve, inclusive face às batalhas da revolução de 1932, com suas características originais, tendo sua reforma atual iniciada por Eliana e Walton Ferreira Leite Júnior em 1982, sem previsão para acabar. A sede se constitui num prédio de 2 andares, raro à época, em estilo colonial mineiro, sendo o porão perfeitamente habitável, feito de pedras, madeiras nobres, tijolos de adobe e usando o óleo de baleia como argamassa. O segundo piso é feito de madeiras e taipa de pilão, com pé direito acima de 4 metros. As construções, casa-sede e serviços, tinham o formato de um U, com o terreiro de seca do café e água corrente no centro. A casa restaurada é mobiliada com móveis de época, devendo se acentuar que foi das primeiras construções do Brasil-Colônia a receber ferro inglês e vidro.

Com o fim do ciclo do café, mais mineiros vieram se instalar na região, ansiosos pelas vantagens da Ferrovia próxima, iniciando-se então o ciclo da pecuária ,que persiste. É uma pecuária simples, em terras montanhosas e de preservação. Na Fazenda, mantemos essa pecuária, por tradição e nos dedicamos ao turismo, histórico, rural e ecológico, abertos aos estudiosos do ciclo do café e àqueles que buscam simplicidade, autenticidade e um desejo intenso de conhecer o velho Brasil.


 
   
 
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