Fundada em 1817 pelo Senador Nicolau Pereira de Campos Vergueiro, a Fazenda Ibicaba foi sede da primeira, e uma das mais importantes colônias do Brasil.
Foi pioneira na substituição de mão de obra escrava pela de imigrantes europeus, principalmente Suíços e Alemães, trinta anos depois de sua fundação.

O Senador Vergueiro foi o responsável pela vinda dos primeiros imigrantes da Europa, muito antes da abolição da escravatura. Sua empresa, a Vergueiro e Companhia, recrutava os imigrantes, financiava a viagem, e o imigrante tinha que quitar sua dívida trabalhando por pelo menos quatro anos. A cada família cabia um número determinado de pés de café que pudesse cultivar, colher e beneficiar, além de roças para o plantio de mantimentos.

O produto de venda do café era repartido entre colono e fazendeiro, devendo prevalecer o mesmo princípio para sobras de mantimentos que o colono viesse a vender. Esses contratos ficavam conhecidos como "Sistema de parceria".
Cerca de mil pessoas, entre portugueses, suíços, e alemães viviam em Ibicaba, que era quase independente, e teve até circulação interna de moeda própria. Durante uma década, o modelo de colonização obteve sucesso e serviu de exemplo para todo o país.

Devido a sua importância para a economia de São Paulo, e ao reconhecimento da influência política do Senador Vergueiro, a Fazenda Ibicaba recebeu grandes personalidades, entre elas Dom Pedro II, a Princesa Isabel, e o Conde D’eu. Foi usada durante a Guerra do Paraguai como estação militar.

A extinção do tráfego negreiro em 1850, levou muitos fazendeiros a implantar o mesmo "Sistema de parceria", criado pelo Senador Vergueiro. Os imigrantes além de exercerem grande influência cultural, contribuíram com novas técnicas de produção: utilização de arado na plantação de café, eixo móvel para carroças e demais utensílios agrícolas. A oficina de Ibicaba fornecia máquinas e instrumentos para a região, posto que muitos imigrantes não tinham vocação agrícola, mas eram excelentes artesãos. Um dos primeiros motores a vapor de São Paulo foi importado pela Ibicaba, e hoje se encontra em um museu em Limeira.

Com as dificuldades enfrentadas pelos colonos, na adaptação ao clima e culturas locais, aliadas a subordinação econômica aos fazendeiros por não conseguirem saldar suas dívidas, baseadas numa contabilidade questionável, foi criando uma crise que, em 1856, culminou com a "Revolta dos Parceiros", ou a Insurreição dos Imigrantes Europeus, tendo como palco a maior produtora de café da época: a Fazenda Ibicaba.
A revolta foi comandada pelo suíço Thomaz Davatz, que conseguiu inclusive que as autoridades suíças tomassem conhecimento das condições em que viviam os colonos. Thomaz Davatz, ao retornar à Europa, escreveu o livro "Memórias de um colono no Brasil", cujo teor inibiu o ciclo da imigração, e que até hoje nos ajuda a compreender este período histórico.

Em 1886 foi criada a sociedade promotora da imigração que se encarrega de uma grande campanha publicitária para atrair mão de obra estrangeira, publicando panfletos vendendo a imagem do Brasil como um maravilhoso país tropical, e apagando a impressão negativa deixada pelo livro de Davatz.

Em 1877, chega o primeiro grande grupo de italianos para São Paulo, com cerca de 2000 imigrantes.

É a política oficial da província atraindo braços para a grande lavoura.

A partir de 1882, o movimento cresce assustadoramente e o estado, pela primeira vez, destina verbas para apoiar os imigrantes, criando inclusive a "Hospedaria do Imigrante", onde ficavam gratuitamente por sete dias esperando pelo fazendeiro que fosse contratá-los.

A imigração italiana foi a que obteve o maior sucesso, tanto do ponto de vista de adaptação dos imigrantes, como de sua produtividade. Tal sucesso se deve a procedência rural da maior parte dos italianos, vindos principalmente da Itália Meridional, então terra de latifúndios.
A identidade religiosa também foi um fator favorável, num tempo em que havia muita intolerância nesse terreno, devido ao grande poder da Igreja Católica.

Até hoje, há predominância de sobrenomes italianos na região, que venceram as dificuldades iniciais, se estabeleceram definitivamente nesta terra, criaram raízes e permaneceram para sempre. A Fazenda Ibicaba e sua história costumam ser temas de vestibulares, inclusive da "Fuvest".


Projeto Ibicaba


A Fazenda Ibicaba conserva um importante conjunto arquitetônico representativo do ciclo do café, formado pela sede centenária, pela capela, a senzala, a tulha, os terreiros e aquedutos construídos pelos escravos, o prédio da escola, a torre do relógio com seu mirante, bem como as máquinas antigas para benefício do café.

Com o objetivo de viabilizar a preservação e divulgação tanto da história da imigração como do ciclo do café, a Fazenda Ibicaba está desenvolvendo um projeto de natureza turística e educacional, aliadas a atividades ecológicas e de lazer, dirigido a estudantes de 1º e 2º graus de escolas particulares da capital e do interior.

O Projeto consiste em receber os estudantes para "Dia de Campo" desenvolvendo atividades educativas de conteúdo histórico, bom como de lazer no campo.

As atividades serão orientadas para a faixa etária de cada grupo, e coordenadas por monitores especializados.

Cada turma permanecera na fazenda das 9:00 às 17:00 horas e receberá café da manhã, almoço e lanche durante o período.

As atividades poderão ser diferenciadas conforme orientação de cada escola, sempre respeitando a faixa etária dos alunos.

O tempo de permanência , o cardápio, bem como o uso da piscina , poderão ser previamente combinados de acordo com a necessidade de cada escola.


Objetivos

Recuperar aspectos importantes da história do Brasil no século XIX , tais como : a escravidão, o ciclo do café e a imigração européia.

Escravidão: a vida dos escravos nas fazendas; o processo de abolição da escravatura, etc.

Ciclo do Café: importância econômica no processo de desenvolvimento do país, reflexos sociais e políticos, ciclo de produção.

Imigração européia: identificar as causas, as épocas e os principais povos que imigraram para o Brasil, e a vida dos colonos nas fazendas.

Conhecer uma Fazenda de café do século XIX e seu funcionamento.

Conhecer a história da Fazenda Ibicaba e seu papel nos processos da abolição da escravatura, da imigração européia e na industrialização do país.

Conhecer aspectos da arquitetura do período.

Os tópicos acima descritos fazem parte do currículo oficial do MEC de 1º e 2º graus.

Pretendemos que esse estudo se dê de forma lúdica e natural, intercalado por atividades esportivas e de lazer, adequadas para cada faixa etária.

 
   
 
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